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Feliz Natal
Assisti ontem ao filme de estréia do "bola da vez" Selton Melo. Decididamente, como diretor, o protagonista de "Meu nome não é Johnny" e "Cheiro do Ralo" continua sendo um ótimo ator. Aliás, existe um personagem secundário no filme, gordo e falastrão que me pareceu um alter-ego do diretor. "Feliz Natal" tem problemas técnicos. Apesar de ter consciência de que meus ouvidos não andam lá essas coisas, me pareceu que a trilha sonora está mixada muito mais alto que as falas, a ponto de muitas delas terem me escapado. Quero confirmar esse defeito com meus filhos, experts no assunto, mas garanto a vocês que em "Última parada 174" não perdi uma fala. Mas não é esse o pior defeito do filme. Ele é muito pretencioso pra uma estréia na direção. Aliás, humildade não parece ser uma característica do garoto que se revelou ao público em Auto da Compadecida. Planos ousados que poderiam revelar uma tentativa de fugir da mesmice não disfarçam a intenção de fazer um filme "cabeça". A montagem truncada também não contribui pro entendimento da história que pretende, nas entrelinhas, culpar o alcoolismo da mãe pela desagregação familiar. Famílias disfuncionais é o que mais tem neste País onde, ao primeiro sinal de frutação, corre-se pra garrafa. Mas filmar essa incomunicabilidade não acrescenta nada à percepção do problema. Uma lavagem de roupa-suja em alto estilo talvez levasse o espectador a uma reflexão. Mas pra isso Selton precisaria aceitar dividir os holofotes com um roteirista do porte de Bráulio Mantovani, de "Última parada 174".
Escrito por cris1949 às 17h05
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