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Trocadilho em chamas 
O título do filme de Guillermo Arriaga em inglês, "Burning plain" é um trocadilho com "Burning Plane" e também a chave da pegadinha com que o roteirista / diretor nos brinda em seu longa de estréia. Nada contra trocadilhos até porque como publicitária usei e abusei desse recurso. Mas não acho que a pegadinha tenha acrescentado muito ao primeiro filme do roteirista de "Amores Brutos", "21 gramas" e "Babel". Depois da fértil parceria com o também mexicano Alejandro González Iñárritu, a dupla se desentendeu e Arriaga enveredou por carreira solo. A exemplo da trilogia mencionada, "Planície em Chamas" abusa das idas e vindas, desta vez mais no tempo que no espaço, até porque, ao contrário dos filmes de Iñárritu, aqui não temos vários núcleos, apenas vários tempos do mesmo. Charlize Théron está linda como a garota traumatizada que vê a mãe queimar, literalmente, no fogo do inferno depois de ter pulado a cerca com um mexicano. Mas as armadilhas do roteiro acabam unindo a garota ao filho do amante da mãe e a história, daí pra frente, se complica um bocado. Uma Kim Bassinger madura e ainda bonita segura, com classe, o papel da esposa adúltera, mutilada e carente, que encontra nos olhos do amante o resgate pra sua auto-estima. Não dá pra dizer que o debut de Arriaga seja um "filmaço". Ele prova que um bom roteiro é apenas um dos ingredientes de um bom filme. Claro que ajuda. Mas ainda falta ao estreante, o que é muito compreensível, o timing da montagem do seu conterrâneo. Fora o elenco de estrelas como Brad Pitt, Gael Garcia Bernal, Sean Penn, Naomi Watts e Cate Blanchett, que por si só já garantem momentos de frisson. Não sei se faltou grana pra contratar galãs à altura de Charlise e Kim, ou se faltou mesmo foi a velha e boa "cancha" que só se adquire com o tempo. Por enquanto, como diretor, o bonitão que extasiou as platéias femininas no Flip e no Roda-Viva, continua sendo um ótimo roteirista.
Escrito por cris1949 às 21h54
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O Oscar entre a vida e a morte
 Apenas um ano separa as duas premiações: o alemão "Os falsários" levou o Oscar de melhor filme estrangeiro, no ano passado. O japonês "A partida" abocanhou a estatueta este ano. Enquanto o filme do austriaco Stefan Ruzowitzky, discute táticas de sobrevivência num campo de concentração nazista, a obra de Yojiro Takita se debruça de maneira emocionante sobre o espinhoso tema da morte. Baseado na história real de Adolf Burger, um dos prisioneiros "contratados" pela SS pra falsificar dinheiro pro III Reich, "Os falsários" mexe com questões morais. Pra escapar dos fornos de extermínio, aqueles judeus, tratados pior que cachorro pelos oficiais alemães, acabaram colaborando pra financiar a megalomania de Hitler. A Alemanha estava falida. Era com esse dinheiro "fabricado" que o insano continuava alimentando seus delírios de dominar o mundo. Quando Burger, o gráfico da equipe, começa a sabotar a produção dos dólares, atrai a desconfiança dos companheiros, apavorados face o cheiro de carne queimada que entrava pelas janelas do galpão. O filme remete a "A alma imoral", de Nilton Bonder, que li recentemente. O rabino fala sobre moralidade do corpo e imoralidade da alma, apontando a diferença entre o "correto" e o "bom". No caso do filme, ajudar o inimigo não era moralmente "correto". Mas era "bom", na medida em que garantia a sobrevivência por algum tempo. Quantas vezes agimos corretamente, observando regras sociais, familiares e religiosas, mas por dentro estamos loucos pra chutar o pau da barraca? No pensamento de Bonder, são esses chutes que levam o mundo adiante. Sem transgressões, a humanidade não teria evoluído. Pra quem tem alergia a regras como eu, a tese é bastante confortadora. Mas voltando aos melhores estrangeiros, o alemão nos leva a uma reflexão sobre como o certo e o errado podem ser relativos. Já o nipônico mostra como o tempo perdido em rusgas familiares um dia pode se transformar em culpas e ressentimentos diante de um adeus final. Também sublinha a importância da cerimônia de despedida, mais até pros vivos do que pros que se vão. E aí entendemos porque é tão importante pras famílias que os corpos das vítimas do voo 474 da Air Fance sejam resgatados.
Escrito por cris1949 às 16h18
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