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Ser Digno de Ser 
Este é o título espanhol do belo filme do romeno Radu Mihaileanu, premiado em Berlim, em 2005. “Va, vis et deviens” conta a história de um garoto etíope que, em 1984, pega carona com os oito mil falashas, judeus negros da Etiópia, que fugiam do regime pró-soviético, via Sudão, em busca da terra prometida em Israel. Pra salvar sua vida, a mãe que já havia perdido um filho pros comunistas batiza-o de Salomão e o embarca clandestinamente num avião da chamada “Operação Moisés.” Esses etíopes se diziam descendentes da Rainha de Sabá e mantinham algumas tradições judáicas. Chegando em Jerusalém, o falso judeuzinho negro é adotado por um casal francês de esquerda e criado como filho. Mas Salomão se sente um peixe duplamente fora d’água. Único negro de uma família branca, Schlomo é obrigado a repetir a toda hora pras autoridades israelenses os nomes dos antepassados, Sara e Isac, pra confirmar a ascendência judáica. As coisas pioram quando os rabinos descobrem que o menino não é circuncisado. Mas pegam fogo mesmo quando, já adolescente, o neguinho de kipá engata um namoro com a linda filha do rabino local. Pra baixar a poeira, os pais adotivos enviam Salomão a Paris. Sete anos depois, ele volta com um diploma de médico debaixo do braço e muita vontade de rever a mãe verdadeira. E decide praticar sua medicina na terra natal. Não sem antes selar o compromisso com a linda Hanna, que há 10 anos o espera. Após a festança, com todos os Havanaguilla a que tinha direito, Schlomo confessa à amada seu segredo. Se tivesse confessado que era gay, a menina teria se emputecido menos. Nessa hora, a mãe adotiva aparece pra fazer o meio de campo e a paz conjugal é restabelecida. Daí pra frente o filme resvala pra pieguice. O encontro com a mãe na barraca do deserto tem pitadas de novela da Gloria Perez. Aliás, uma família negra com um pé na Rocinha e outro no Sudão pode ser um bom tema pra próxima novela da autora. Ela não adora uma ponte aérea intercontinental?
Escrito por cris1949 às 22h08
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O crítico de Bagé 
Sempre soube que os gaúchos eram machistas, mas a crítica de L. C. Merten sobre “De repente Califórnia” do diretor Jonah Markowitch é um verdadeiro tratado de homofobia. Apesar do estigma de filme gay, “De repente” não tem nada a ver com a baixaria que esse tipo de produção costuma mostrar. Uma espécie de “Brubeck Mountain” sobre as ondas, o filme trata de uma relação homossexual entre rapazes com a delicadeza que muitas vezes encontramos nos filmes sobre lésbicas, ou até mesmo sobre casais hetero. Mas apesar do foco no relacionamento entre Zack e Shown, o diretor discute outras questões que talvez tenham passado batido diante dos olhos dos machos apavorados. Com certeza eles não se tornariam boiolas de se prestassem atenção no relacionamento de Zach com a irmã abusadora e o fofo do sobrinho Cody. A irmã é uma puta folgada que explora os serviços de baby-sitter do protagonista pra correr atrás do primeiro macho que aparece. Zack, que é gente boa e louco pelo sobrinho, sacrifica sua vida numa lanchonete, em vez de cuidar do seu futuro, só pra não abandonar o garoto. E é justamente o namorado quem abre seus olhos pros abusos da irmã e o incentiva a ir atrás dos seus sonhos. Mas como o garoto não tem culpa da mãe que tem, os titios acabam adotando-o no final. Pra provar que mais valem 2 pais na mão do que uma mãe voando.
Escrito por cris1949 às 22h05
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