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blog da cris1949


O cinema, o estômago e o fígado

 

Li em algum lugar que é preciso ter estômago pra digerir “Downloading Nancy”, o filme de estréia do sueco Johan Renck. Eu não tive. Com Maria Belo no papel de uma mulher abusada na infância pelo tio, o filme mergulha nesse nicho obscuro da internet onde pessoas desesperadas se encontram pra acabar de se destruir. Desprezada pelo marido, a infeliz recorre à web pra marcar encontros com outro sujeito. Até ai, nenhuma novidade. Só que Nancy não espera que o outro a faça feliz. Mas sim que a mate. E entre um encontro com o amante  e uma sessão de psicanálise com a boquiaberta terapeuta, a moça ainda gostava de se mutilar. Não que não existam pessoas assim. Eu mesma conheci uma publicitária que era chegada a uma gilette. Um dia trocou-a por um Colt 45 e foi pro beleléu porque a filha preferiu passar o Natal com o pai e sua nova familia. Essas coisas embrulham o estômago. Pra meu alívio, o Telecine Cult estava exibindo “Um convidado bem trapalhão" de Blake Edwards. Chamei meu filho pra assistir. Eu só lembrava da cena hilária em que Peter Sellers caía na piscina de uma mansão em Hollywood, em meio a uma festa. Mas o filme é uma sucessão de trapalhadas do começo ao fim. Esse genio da comédia faz  um indiano idiota, em meio a um rega-bofe na casa de um general. Rachamos o bico. Entre o personagem de Sellers e o garçon bêbado era dificil dizer qual o mais estabanado. Uma estética bem anos 70, o filme deságua, literalmente, num pastelão total com direito a elefante na piscina e banho de espuma coletivo. Bons tempos em que, ao invés de embrulhar o estomago, o cinema desopilava o fígado.



Escrito por cris1949 às 22h02
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