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Nome Próprio 
Como primeiro filme que eu consigo baixar inteirinho na internet e assistir em meu notebook, o destino não poderia ter reservado título melhor. Dirigido pelo experiente Murilo Salles, “Nome Próprio” navega quase o tempo todo na web. Com a cada vez mais madura Leandra Leal no papel de uma blogueira em busca de seu grande amor, não é uma daquelas babaquices de casais que se conhecem em chats ou fazem sexo virtual. A Camila Alves, inspirada em personagens da escritora Clarah Averbuck faz sexo sim. Mas na sua cama ou nas dos inúmeros namorados que arruma através do seu blog, ou não. Apesar do jeitinho de moderninha blasé, a garota é uma romântica inveterada. Não faz nada que as mulheres dos tempos pré-internet não tenham feito, inclusive eu. A diferença está só na forma. O desespero face o pé-na-bunda é o mesmo. A fantasia de acreditar que cada novo namorado é o homem da sua vida também é a mesma. Carência? perguntarão alguns. Pode ser. Afinal, nos 120 minutos do filme, a garota não recebe um telefonema da família. Mas também pode ser só uma maneira corajosa de lidar com os sentimentos. No fundo, todas nós somos acometidas, em algum momento da existência, do tal Complexo de Cinderela, tão propalado nos 80. Algumas beijam o primeiro sapo que aparece na frente e passam o resto da vida fingindo que ele é seu príncipe encantado. Principalmente se tiver grana. Outras preferem correr atrás dos seus sonhos, mesmo que seja pra descobrir um dia, que não passavam de quimeras. De uma maneira ou de outra, toda mulher tem um lado Camila, nem que seja enrustido nos devaneios. Claro, é um lado que assusta os homens. Principalmente aqueles que usam bombachas.
Escrito por cris1949 às 00h08
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À Deriva  Ao contrário do Zanin do Estadão que acha o último filme de Heitor Dhalia melhor que os anteriores, ainda prefiro Nina aos dois últimos. Tá certo que um roteiro inspirado em Dostoiekski, alguns dirão que já é meio caminho andado. Nem sempre. Às vezes um péssimo livro pode dar um filme excelente. Falar nisso, vi o trailler de um, baseado numa obra do Paulo Coelho que deu vontade de assistir. Mas voltando ao “Nina”, ali Heitor foi extremante feliz na adaptação. Começando pelo elenco onde Simone Spoladore dá um show de interpretação, à altura da parceira Miriam Muniz. “Cheiro de Ralo”. até gostei na época, mas hoje lembro dele com uma certa preguiça. Não aguento mais o excesso de estrelismo de Selton Melo. Quanto a “À Deriva”, confesso que esperava mais. Talvez até pela onda desencadeada pela participação do filme em Cannes. Não é ruim. A maneira com que Dhalia trata o tema da separação do casal e a forma com que ela afeta as crianças passa uma verdade. Tem até uma pitada de Freud na relação da adolescente com o namorado da amante do pai. Mas achei um filme meio arrastado. E pela primeira vez, senti na filmografia de Dhalia uns vícios da sua experiência publicitária. Pôr-de-sol, praia e adolescentes saltitantes estão por demais presentes em tudo quanto é comercial: de poupança a protetor solar. Tenho a impressão de que quando Heitor filmou Nina, ele ainda era criativo de agência. Se tivesse continuado, “À Deriva” talvez fosse melhor.Ou não.
Escrito por cris1949 às 22h56
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