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Escrito por cris1949 às 00h06
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Há muito tempo te amo 
Ao contrário do que o título sugere, o primeiro filme do escritor francês Phillip Claudel não trata de uma paixão que levou a vida toda pra explodir. Enquanto escritor, Claudel, que não sei se é parente da Camille de Rodin, publicou um romance chamado “Desisto”, em que o narrador, psicólogo de formação, trabalha num hospital com a missão de avisar os familiares dos pacientes que morrem. Descrito por uma crítica portuguesa como “uma descida ao inferno da perda e do desespero”, o tema tem tudo a ver com o mistério de “Há muito tempo te amo”. No filme em que Krisitin Scott Thomas interpreta uma ex-presidiária tentando retomar a vida normal na casa da irmã caçula, os segredos são revelados à saca-rolha. E o bacana é esperar, pacientemente, que os fatos se esclareçam. Nesse meio tempo, o espectador pode observar a capacidade do ser humano de julgar e condenar pessoas sem ter nenhuma idéia dos motivos que as levaram a cometer esse ou aquele delito. E por incrível que pareça, os julgamentos, na maioria dos casos, começam dentro de casa. São os familiares mais próximos, por suas palavras, ou por seus silêncios quem se encarrega de queimar o filme do sujeito, detruir sua reputação, segregá-lo do clã familiar, como se fosse um leproso. Apesar de, graças a Deus, nunca ter chegado perto do drama da protagonista de “Há muito tempo te amo”, vivienciei julgamentos segregacionistas durante boa parte da minha vida. É incrível como ousadia e liberdade incomodam os covardes. Mas assim como a justiça, a verdade um dia vem à tona e os “fazedores de caveiras” perdem a voz.
Escrito por cris1949 às 23h02
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Anton Tchecov 
No primeiro capítulo de “Barbaridades Críticas”, livro que meu ex-marido Marcius Cortez acaba de publicar, ele compara Tchecov a outros escritores russos, com vantagens para o primeiro. Como nunca tinha lido nada desse autor, passei a semana garimpando contos dele na internet e gostei. Ontem, tive o prazer de conhecê-lo melhor no belo “Moscou” de Eduardo Coutinho. Documentário sobre os ensaios da peça “As três irmãs” pelo Grupo mineiro Balcão, o filme confirma tudo que Marcius comenta sobre o olhar do escritor russo sobre as coisas simples da vida. Segundo ele, Anton tinha como proposta não dar ênfase a problemas políticos, econômicos ou sociais. Ufa! Que alívio para esses nossos dias de pesadelo Sarnento. Na peça, o russo fala do dia a dia daquelas três irmãs cujo pai havia falecido no aniversário da caçula e a família havia se mudado pro interior. Ali tem um pouco da família de cada um de nós. E pra reforçar essa sensação, nada tão “família” quanto o delicioso sotaque mineiro do elenco. Alguém uma vez falou que se o artista quiser ser universal, deve falar do próprio quintal. “As três irmãs” é uma prova disso. E mais que universal, a peça também é atemporal. A fala do personagem que se apaixona por uma das irmãs mas não tem coragem de largar a mulher por culpa de ter dado uma mãe tão péssima pras filhas é o maior exemplo da perenidade da obra. Belo filme, bela peça. Quanto ao livro, Marcius, ainda não cheguei na segunda crônica. Mas só de ter me apresentado Tchecov, já valeu.
Escrito por cris1949 às 09h29
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